
Margens Poéticas
Monica Aiub
Sinopse:
Este é o livro de poemas da Nina, o pseudônimo que adotei por muitos anos para os textos poéticos. Mais que um pseudônimo, Nina tornou-se uma persona, com características de vida e escrita próprias. Ela é uma bailarina que vive intensamente; sua escrita é fluxo, cor, movimento, como cenas de um balé em plena natureza. As constantes tentativas de opressão e silenciamento colocam Nina às “Margens”, mas ela não se permite oprimir e silenciar, transformando as “Margens” em “Margens Poéticas”, nas quais ela vive e dança. A Nina não sou eu, não é uma única mulher, sua persona representa faces do ser mulher, marcas do feminino que há em todos nós, traços de pessoas que transitam e habitam as “Margens Poéticas”.
- 130 páginas
- 1ª edição: dezembro de 2025
- ISBN: 9786598888930 (livro físico)
- ISBN: 9786598888923 (livro digital)
Monica Aiub
Nasci em Santos, de onde trago minha paixão por música, literatura e mar. Fui apresentada à filosofia a partir dos estudos em música. A conclusão foi uma nova e avassaladora paixão que resultou em graduação (UNISANTOS), mestrado (UFSCar) e doutorado em Filosofia (PUC-SP). Sou filósofa e atuo no consultório, com Orientação Filosófica, o que me permite conhecer diferentes formas de sentir, pensar e viver, uma vez que meu trabalho consiste em pensar junto com as pessoas sobre suas questões cotidianas. Sou violonista, com Bacharelado em Música (UNESP), por isso, quando não “estouro em palavras”, estouro em sons. Escrevo desde muito cedo, mas minhas publicações anteriores foram todas em filosofia. É a primeira vez que publico um livro de poemas, embora palavras e sons poéticos ecoem em mim durante toda a vida.

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Margens Poéticas
Poema inspirado na música de Milton Nascimento e Caetano Veloso, A terceira margem do rio, e no conto homônimo de Guimarães Rosa.
Ser ou não ser
Ser e não-ser
Nem ser, nem não-ser
A linha tênue entre razão e desrazão
A espera pela fenda
Pelo descortinar de um novo modo de viver
Palavras secas flutuam nas águas
Não há redes capazes de pescá-las
Não há água capaz de molhá-las
Na superfície das palavras secas
Cada gota do rio é um verbo
Dito no silêncio perpétuo do devir
Gotas de palavras
Palavras secas
Não-lugar
Falas de superfície a superfície
Palavras ocas
Águas profundas do silêncio
Na margem que não se vê
A vida que não se tem
A forma que não se é
A casa e a brasa da palavra
O olhar perdido que atravessa os corpos
Protegido no oco da canoa
Flutuando em meio às palavras secas
Sedento por gotas de palavras sãs
Faminto por sons de palavras simples
Presença infinita
Imprescindível como a vida
Definha na linha imaginária das outras margens
Ausência profunda
Desfile de palavras ocas
Atravessadas por olhos e ouvidos mortos
Entretelas das redes
Entre as quais as palavras fogem
Correnteza fria de um tempo árido
Entreatos do existir
Entre os quais as palavras fluem
Gentileza exuberante de um porvir.
